Quando comecei a desenvolver sistemas dentro do supermercado, o cenário era clássico: pranchetas por todo lado, formulários em papel que se perdiam, e informações que demoravam dias para chegar a quem precisava tomar decisões. A transformação digital não veio de um grande projeto — veio de resolver um problema de cada vez.

O primeiro setor a migrar foi a reposição. Criei um sistema simples onde o repositor registrava rupturas e pendências diretamente pelo celular. O impacto foi imediato: a informação chegava em tempo real ao comprador, que conseguia agir mais rápido. Em poucas semanas, a equipe já não queria voltar ao papel.

Depois vieram o bazar, a tesouraria e o setor de compras. Cada um tinha suas particularidades, mas a abordagem era a mesma: entender o fluxo real (não o ideal), ouvir quem operava no dia a dia, e construir algo que fosse simples o suficiente para ser adotado sem treinamento demorado.

Hoje, olhando para trás, o maior aprendizado é que a tecnologia só funciona quando respeita a rotina de quem vai usar. Não adianta criar um sistema bonito e complexo se o operador precisa de três cliques para fazer algo que antes fazia em um. Simplicidade é a funcionalidade mais importante.